Veja como foi o primeiro dia do “8º Encontro de Economia do Sudeste” com debates sobre o desenvolvimento econômico e os desafios nacionais
O Corecon-SP iniciou, nesta quinta-feira, 28 de agosto, o 8º Encontro de Economia do Sudeste, realizado em parceria com os Corecons de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Com o tema “Desafios Econômicos do Brasil e Propostas para o Desenvolvimento Nacional”, a maratona de palestras e debates ocorreu de forma híbrida, diretamente da sede do Corecon-SP, com transmissão simultânea pela TV Economista.
O primeiro dia trouxe reflexões sobre um novo projeto para o país, além de debates sobre o setor privado, fontes de financiamento, o novo cenário geopolítico do Brasil e a preparação do país para a transição demográfica. As discussões reuniram contribuições de diversos segmentos da economia e da sociedade civil.
Ao final, foram premiados os três primeiros colocados no concurso de monografias do Corecon-SP.
Abertura
O encontro foi aberto pelos presidentes Odilon Guedes (Corecon-SP); Carolina Rocha Batista (Corecon-MG); Érica Leal (Corecon-ES); Carlos Francisco Theodoro Machado Lessa (Corecon-RJ); e João Manoel Gonçalves Barbosa (Cofecon), representando a presidente Tania Cristina Teixeira.
Palestras
A abertura do evento contou com a palestra magna “Um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil”, conduzida pelo economista e escritor Paulo Nogueira Batista Jr. A mediação ficou a cargo do presidente Odilon Guedes.
“O Brasil tem potencial para construir um projeto próprio — é um dos gigantes do mundo, com força econômica, demográfica e territorial. Mas ainda não se organizou para isso. Precisamos de um projeto nacional robusto, com um Estado forte, popular, inclusivo e com visão independente, o que exige descolonizar mentalmente nossas elites, ainda muito subordinadas ao pensamento dos Estados Unidos e da Europa”, destacou Paulo, em sua explanação.
Odilon lembrou que o Brasil já contou com diversos projetos de desenvolvimento, mas que, após o segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, passou a concentrar seus esforços no controle da inflação, perdendo essa perspectiva mais ampla.
Para fechar a manhã, a temática abordada foi “o Papel do Estado, do setor privado e fontes de financiamento”, ministrado por Marília Marcato, assessora da presidência do BNDES, e Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústria do Estado de São Paulo (CIESP).
Marília apresentou um panorama sobre a estratégia de reindustrialização do Brasil em um contexto de acirramento das disputas geopolíticas, destacando o papel do BNDES no plano Brasil Soberano.
Ela enfatizou os eixos de desenvolvimento produtivo, inovação e a ampliação de recursos para a difusão tecnológica como aspectos estratégicos da atuação do Banco.
Segundo Marília, o BNDES é um ator central na recuperação da indústria brasileira, pois “representa um caminho estrutural dentro da estratégia governamental, integrando-se a um conjunto de atores voltados à criação de novas receitas e instrumentos de desenvolvimento”.
Já Cervone destacou que a palavra de ordem é cooperação, com cada um dando o melhor de si para colaborar e construir um Brasil melhor. Ele lembrou que a indústria brasileira é responsável por 69% dos gastos com inovação e 67% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o que reforça sua importância estratégica para a competitividade e o futuro do país.
“Precisamos de um projeto estruturante, que vá além dos governos, garantindo segurança e mais investimentos nos setores produtivos”, afirmou.
A mesa foi dirigida pelo presidente Odilon Guedes.
As palestras da tarde começaram com um debate sobre o tema “O novo cenário geopolítico e o Brasil”, com a participação de Carolina Pavese, doutora em Relações Internacionais pela LSE e especialista em cooperação internacional, e Pedro Silva Barros, economista e técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em sua apresentação, Pavese destacou o atual contexto geopolítico, apontando que muitos analistas consideram estarmos vivendo um “superciclo de crises geopolíticas”. Segundo ela, 2025 tem sido marcado como o ano da geopolítica, e o objetivo foi justamente trazer essas discussões para o campo da economia, a fim de refletir sobre a nova ordem global, os desafios crescentes e o papel que o Brasil pode desempenhar nesse cenário.
Ela ressaltou ainda a importância de compreender os riscos e as oportunidades que se desenham para o país nesse contexto de transformações globais.
Barros, por sua vez, destacou que a geopolítica mundial é sempre relevante, mas que, “no contexto atual — marcado por tarifas elevadas e instabilidade em diversas regiões —, ela se torna ainda mais estratégica”.
Durante sua fala, compartilhou parte das pesquisas que desenvolve sobre o Brasil e sua relação com a América do Sul, uma região que, embora dividida, apresenta inúmeras oportunidades para o país avançar no desenvolvimento econômico.
Ele enfatizou também a importância da infraestrutura, especialmente no que diz respeito à integração bioceânica, como forma de melhorar a competitividade brasileira por meio de conexões logísticas mais eficientes.
A apresentação contou com a participação da presidente do Corecon-MG, Carolina Rocha Batista, que conduziu os trabalhos.
Para encerrar o primeiro dia do 8º Encontro de Economia do Sudeste, os participantes acompanharam a apresentação do economista e presidente do IBGE, Márcio Pochmann.
Em sua fala, Pochmann destacou a importância de compreender as mudanças demográficas em curso no Brasil e seu impacto no desenvolvimento nacional.
“Buscamos apresentar um diagnóstico e um prognóstico sobre a população brasileira, destacando as principais transformações que o país vem registrando neste primeiro quarto do século XXI. Esse é um tema essencial para pensar o Brasil de hoje e, principalmente, para construir um projeto nacional. Nada melhor do que ter a oportunidade de dialogar com profissionais da economia, lideranças que podem contribuir para que o país tenha mais informações e, sobretudo, decida melhor sobre seu futuro diante do perfil populacional que temos hoje”, afirmou.
O painel de encerramento foi conduzido pela presidente do Corecon-ES, Érika Leal.
PREMIAÇÃO
Antes de finalizar as atividades do dia, o Corecon-SP celebrou a excelência acadêmica e seu compromisso com o avanço do conhecimento econômico por meio do Prêmio Corecon-SP de Excelência em Economia – Concurso de Monografias 2025.
Esse prêmio reconhece e valoriza os melhores trabalhos de conclusão de curso produzidos por formandos de Ciências Econômicas no ano de 2024, em instituições de ensino do Estado de São Paulo.
Foram premiados os três trabalhos que mais se destacaram, reforçando o incentivo à produção acadêmica e à valorização do saber.
Os premiados foram:
1º lugar: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
- Orientador: Professor Doutor Alexandre Gori Maia
- Aluna: Júlia Manini Martins Bonilha
- Monografia: “Transferência de renda condicionada e o mercado de trabalho formal: uma análise dos municípios brasileiros”

2º lugar: Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba (UFSCAR)
- Orientadora: Professora Doutora Aniela Fagundes Carrara
- Aluno: João Pedro Ferreira Nogueira
- Monografia: “A relação entre inflação e índices de preços ao produtor agropecuário: uma análise por meio de séries temporais para os extremos de faixas de renda”

3º lugar: Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
- Orientador: Professor José Alex Rego Soares
- Professor: Roberto Brito de Carvalho
- Aluno: Enzo Negrini Casassa
- Monografia: “Diagnóstico das Finanças Públicas de Campinas: Desafios Estruturais e o Impacto da Pandemia”

ENCERRAMENTO
Após a premiação, a presidente do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, encerrou as atividades com uma reflexão sobre o primeiro dia do evento.
“Esse momento é extremamente importante porque conseguimos reunir quatro estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo — em uma convergência em torno da discussão sobre desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Apesar de apresentarmos maior nível de riqueza, também enfrentamos desafios relacionados à desigualdade e ao desenvolvimento. Estar aqui hoje nos remete a buscar alternativas que possam ser debatidas regionalmente, mas que também reflitam em âmbito nacional. Esse é o intuito dos encontros regionais”, finalizou a economista.
ASSISTA AO VÍDEO DO PRIMEIRO DIA NA ÍNTEGRA
