Logo Corecon-SP

A Rigidez da Inflação de Serviços e seus Impactos na Economia 

Em janeiro de 2026, a inflação de serviços medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma pequena elevação de 0,10%, diante de um crescimento em relação aos 0,72% registrados em dezembro. Apesar dessa estabilidade mensal, o acumulado em 12 meses mostra um aumento de 5,29%.  

O destaque do mês foi o recuo dos preços de serviços, com variação de apenas 0,10%. Essa desaceleração foi puxada principalmente pela queda nas passagens aéreas e no transporte por aplicativo, além de uma desaceleração em alimentação no domicílio 

Com esse desempenho, o grupo de serviços contribuiu para conter o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou uma elevação de 0,33% no mês, abaixo das expectativas do mercado. Essa combinação reforça a leitura de que o processo de desinflação no Brasil segue consistente, ainda que gradual. 

Determinantes da Inflação de Serviços 

Apesar do recuo pontual em janeiro, a inflação de serviços permanece acima do IPCA geral em 12 meses, refletindo fatores estruturais como: 

  • Mercado de trabalho aquecido, que sustenta a demanda por serviços; 
  • Custos trabalhistas elevados e indexação de contratos; 
  • Baixa sensibilidade ao câmbio, tornando o setor menos vulnerável a choques externos. 

O destaque a convergência da inflação de serviços tende a ser mais lenta, mesmo diante de uma desaceleração da atividade econômica prevista para 2026. 

Impactos Econômicos 

Política Monetária 

A persistência da inflação de serviços é um dos principais fatores que limitam a redução da taxa Selic, atualmente em 15%. O Banco Central mantém juros elevados para conter pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços, esse fator dificulta a convergência do índice à meta e prolonga o ciclo de juros restritivos. 

Consumo e Mercado de Trabalho 

O mercado de trabalho aquecido impulsiona a demanda por serviços, mas juros altos tendem a desacelerar contratações e restringir o consumo, especialmente de bens duráveis. O impacto é mais sentido em segmentos como alimentação fora do lar, saúde, educação e serviços pessoais. 

Empresas e Investimentos 

Empresas de serviços repassam aumentos de custos com maior frequência, pressionando preços finais. O setor enfrenta desafios para investimentos, devido ao custo elevado do capital e à rigidez estrutural dos preços. 

Conclusão 

A inflação de serviços é hoje o principal entrave para a convergência do IPCA à meta, combinando fatores conjunturais e estruturais. Seus impactos se refletem na manutenção de juros elevados, desaceleração da atividade econômica, pressão sobre empresas e consumidores, e desinflação mais lenta e desigual entre setores. A trajetória da inflação de serviços será determinante para definir o ritmo de flexibilização monetária ao longo de 2026 e para o equilíbrio macroeconômico do país. 

Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessor Econômico
Informações: secretaria@cnservicos.org.br