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A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), O setor de serviços cresceu 0,6% em setembro frente a agosto, marcando o oitavo mês consecutivo de alta e acumulando +3,3% no período. Na comparação anual, houve avanço de 4,1%, e no acumulado de 12 meses, +3,1%.

Impactos econômicos
PIB e Atividade

O setor de serviços, responsável por cerca de 60% do PIB, sustenta o crescimento econômico em 2025. A alta de setembro reforça projeções de PIB positivo no 3º trimestre (+0,3%), mesmo com indústria e comércio em ritmo mais lento. Contudo, a composição do avanço indica desaceleração gradual, pois segmentos ligados ao consumo das famílias perderam força.

Mercado de Trabalho
Serviços seguem como principal vetor de emprego, apoiados por ganhos reais de renda e expansão em tecnologia e logística. Porém, sinais de moderação na criação líquida de vagas começam a surgir, o que pode limitar o consumo nos próximos meses.

Consumo e Crédito
A queda em serviços às famílias reflete restrição de crédito e juros elevados, enquanto turismo e transporte aéreo indicam melhora na renda disponível e maior mobilidade. A digitalização e o e-commerce seguem como motores estruturais.

Política monetária
Um crescimento mais forte do que o esperado no setor pode afetar a visão do Banco Central (BC) sobre a inflação futura. Se os serviços continuarem crescendo forte, o BC pode considerar isso no seu ciclo de política monetária (taxas de juros).
Por outro lado, se o crescimento dos serviços vier acompanhado de aumento da produtividade (por exemplo, mais eficiência no transporte), os riscos inflacionários podem ser mitigados.

A PMS de setembro confirma que o setor de serviços é o motor da economia brasileira, mas com sinais de mudança estrutural: tecnologia e transporte lideram, enquanto serviços tradicionais enfrentam desafios. Esse quadro reforça a necessidade de políticas que estimulem inovação, crédito acessível e integração digital, para manter o dinamismo e evitar uma desaceleração mais acentuada.

A digitalização, o turismo e a logística seguem como motores do setor de serviços, impulsionados por inovação tecnológica e demanda externa. Esses segmentos garantem dinamismo e sustentação do crescimento.

Juros elevados, incertezas fiscais e instabilidade internacional podem reduzir o ritmo. A composição atual indica que, sem recuperação dos serviços ligados ao consumo, o ciclo de alta tende a perder força.

Conclusão
O Brasil chega ao final do 3º trimestre de 2025 com o setor de serviços em trajetória firme de crescimento, apoiado sobretudo pela força do transporte de cargas e pelos serviços de comunicação e tecnologia. Ainda assim, o comportamento dos serviços às famílias e dos serviços administrativos ambos em queda servem de alerta para a necessidade de políticas que estimulem o consumo e reduzam custos operacionais das empresas.

Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessoria Econômica
Informações: secretaria@cnservicos.org.br