Serviços Sustenta a Atividade Econômica em Meio à Moderação do Crescimento
O setor de serviços consolidou-se como o principal eixo de sustentação da economia brasileira, representando aproximadamente 60% do Produto Interno Bruto (PIB) e concentrando a maior parcela da geração de empregos formais e informais. Em razão de seu peso estrutural e elevada sensibilidade ao ciclo econômico, o acompanhamento da atividade por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE, tornou-se instrumento essencial para avaliação da conjuntura econômica no curto prazo.
Os dados mais recentes indicam manutenção do crescimento do setor, porém acompanhada de sinais de desaceleração moderada, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva e a acomodação gradual do consumo das famílias.
Atividade econômica
Crescimento moderado do setor de serviços, com perda gradual de fôlego. O avanço anual do setor entre 2% e 3%, superando a indústria em diversos períodos;
PIB
Serviços permanecem como principal motor do crescimento agregado e indicador antecedente do ciclo econômico. O desempenho do setor de serviços apresenta elevada correlação com o resultado agregado da economia. Em função do seu peso estrutura. O consumo das famílias permanece como principal vetor de sustentação da atividade.
Inflação
A inflação de serviços segue resiliente, constituindo o principal fator de cautela para flexibilização monetária. A inflação de serviços permanece como um dos principais desafios macroeconômicos atuais. Diferentemente dos bens industriais, os preços do setor são fortemente influenciados pelos custos do trabalho e pela dinâmica da demanda doméstica.
Emprego
O setor continua liderando a geração de vagas, embora com sinais de acomodação do mercado formal. O setor de serviços permanece como o maior gerador de empregos da economia brasileira, desempenhando papel central na transmissão do crescimento econômico para a renda das famílias, expansão da população ocupada concentrada em atividades de serviços
A análise da PMS revela três tendências principais:
1. Resiliência do consumo interno, ainda sustentando o nível de atividade;
2. Mudança estrutural do setor, com maior participação de serviços tecnológicos e empresariais;
3. Acomodação recente da atividade, associada ao ambiente de juros elevados e menor expansão do crédito.
Esses elementos indicam a transição de um ciclo de forte recuperação para uma fase de crescimento mais moderado e sustentável.
Avaliação e perspectivas
O cenário atual indica que o setor de serviços permanece como o núcleo central da economia brasileira, influenciando simultaneamente:
• o crescimento do PIB;
• a dinâmica do mercado de trabalho;
• a trajetória da inflação.
No curto prazo, projeta-se:
• manutenção do crescimento econômico em ritmo moderado;
• persistência da inflação de serviços;
• desaceleração gradual da atividade em função das condições financeiras restritivas.
Conclusão
O nível de atividade do setor de serviços segue como o principal termômetro do ciclo econômico nacional. Sua expansão sustenta emprego e renda, mas também impõe desafios ao processo de desinflação.
O comportamento do setor nos próximos meses será determinante para definir o ritmo de crescimento do PIB e o espaço para eventual flexibilização da política monetária ao longo de 2026.
Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessor Econômico
Informações: secretaria@cnservicos.org.br
