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O mercado de trabalho formal brasileiro segue em trajetória de crescimento e resiliência, mesmo em um ambiente macroeconômico de desaceleração moderada. Segundo os dados mais recentes do Novo Caged, o país encerrou 2025 com saldo positivo de 1,279 milhão de empregos formais, elevando o estoque de trabalhadores com carteira assinada para 48,47 milhões vínculos.

O setor de serviços permanece como o motor absoluto da geração de empregos no Brasil, sendo responsável por 758.355 vagas formais em 2025 e liderando a criação de postos em todas as regiões do país.

A expansão do emprego formal em serviços reflete fatores estruturais e conjunturais. Do lado estrutural, observa-se a crescente participação de atividades intensivas em mão de obra, como serviços pessoais, transporte, alimentação, educação, saúde e serviços empresariais. No aspecto conjuntural, a recomposição do consumo presencial, a maior demanda por serviços urbanos e a resiliência do mercado interno explicam a continuidade das contratações, mesmo em um ambiente de política monetária restritiva.

O avanço do emprego formal tem impacto direto sobre a massa salarial, ampliando a renda disponível das famílias e sustentando o consumo corrente. No setor de serviços, esse efeito é particularmente relevante, uma vez que a demanda é fortemente dependente da renda do trabalho. O crescimento do emprego impulsiona segmentos como restaurantes, transporte por aplicativo, serviços domésticos, lazer, turismo interno, educação privada e saúde suplementar, criando um ciclo de retroalimentação positiva entre renda, consumo e nível de atividade.

O Setor de Serviços em 2025 foi gerado um saldo de 758.355 postos de trabalho. Os dados registraram saldo positivo no nível de emprego em cinco, dos Grandes Grupamentos de Atividades Econômicas:

• Transporte, armazenagem e correio (94.495 postos);
• Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (318.460 postos);
• Alojamento e alimentação (74.138 postos);
• Serviços domésticos (171 postos);
• Outros Serviços (76.188 postos);
• Administração pública (194.903 postos).

Os dados do CAGED são acompanhados de perto pela política monetária, pois sinalizam o grau de aperto ou folga do mercado de trabalho. Um ritmo elevado e persistente de geração de vagas em serviços pode limitar o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros, uma vez que reforça pressões inflacionárias de natureza estrutural. Ao mesmo tempo, juros elevados tendem a afetar o crédito, o investimento e, em etapas posteriores, a própria dinâmica do emprego.

O fato de termos aberto vários mercados deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço e o tarifaço impactou segmentos pontuais. Mas, do ponto de vista global, o efeito dos juros é mais danoso.

Esse resultado confirma que o mercado de trabalho formal segue desempenhando papel central na sustentação da atividade econômica brasileira, com destaque para o setor de serviços. Embora esse dinamismo contribua para o crescimento e a redução do desemprego, ele também impõe desafios relevantes, especialmente no controle da inflação de serviços e na condução da política monetária. O equilíbrio entre expansão do emprego, estabilidade de preços e crescimento sustentável seguirá como um dos principais desafios da economia brasileira nos próximos períodos.

Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessor Econômico
Informações: secretaria@cnservicos.org.br