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O Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) lançou nesta sexta-feira (26), junto dos demais membros fundadores, o Comitê Brasileiro de Financiamento Circular (CBFC), em evento realizado na sede da Delegação da União Europeia no Brasil, em Brasília. O Corecon-SP esteve representado por seu Presidente Haroldo da Silva e Vice-Presidente Antônio Prado.

O Comitê foi idealizado pelo Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC) e é composto pelo Corecon-SP, Conselho Federal de Economia (Cofecon), Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e Aliança Brasileira de Finanças e Investimentos Sustentáveis (BRASFI), contando com o apoio da Delegação da União Europeia no Brasil e do Instituto Clima e Sociedade (iCS). A iniciativa marca um importante avanço na articulação entre setor financeiro, indústria, poder público e sociedade para impulsionar a economia circular no país.

O Comitê nasce com o propósito de reposicionar a economia circular como eixo central da estratégia de competitividade e desenvolvimento econômico sustentável no Brasil.

Integração estratégica e protagonismo do Corecon-SP e dos Economistas

O Corecon-SP tem papel de destaque no Comitê, integrando o Conselho Estratégico do grupo. A participação do Cofecon e do Corecon-SP tem o principal intuito de mobilizar a categoria dos Economistas para a atuação no mercado da economia circular, que tem se mostrado promissor e necessário; conferindo maior pujança, produtividade e eficiência nos projetos do setor.

A presença do Conselho reforça o compromisso da profissão de Economista com a formulação de soluções para os desafios contemporâneos da economia brasileira, especialmente no que diz respeito à transição para modelos produtivos mais eficientes e sustentáveis. O Corecon-SP tem construído agendas que conectam inovação, financiamento e políticas públicas, fortalecendo o papel do Economista na promoção do desenvolvimento sustentável.

Missão, visão e objetivos do CBFC

O Comitê Brasileiro de Financiamento Circular surge com uma missão clara: promover, estruturar e acelerar o financiamento para a economia circular no Brasil. Para isso, a atuação de Economistas no setor é essencial. A visão de longo prazo é ambiciosa: contribuir para que o país disponha, até 2035, de um ecossistema financeiro capaz de escalar cadeias produtivas circulares, alinhando as agendas climática, econômica e social. O objetivo geral consiste em criar condições institucionais, técnicas e financeiras para ampliar o volume, a qualidade e o impacto dos investimentos em economia circular no Brasil.

Entre os principais objetivos específicos, destacam-se:
– A articulação entre mercado financeiro, indústria e setor público para qualificar o debate e criar uma linguagem comum;
– A estruturação de projetos com potencial de investimento, apoiados por dados, métricas e evidências;
– O desenvolvimento de instrumentos financeiros e o aprimoramento de políticas públicas;
– O alinhamento da economia circular às agendas de clima, inovação, indústria e desenvolvimento regional.

Superar gargalos e transformar discurso em prática

O CBFC nasce com foco em enfrentar um dos principais desafios identificados no Brasil: a dificuldade de transformar boas iniciativas em projetos estruturados e “bancáveis”. É aí que entra a participação indispensável do profissional Economista, organizando as cadeias produtivas e construindo novos modelos de negócios.

O Comitê se posiciona, assim, como um espaço de articulação multissetorial capaz de aproximar quem desenvolve projetos, quem financia a inovação, quem formula políticas públicas e quem possui o conhecimento de criar condições concretas para ampliar investimentos em soluções circulares.

Economia circular: competitividade e desenvolvimento sustentável

A economia circular vem ganhando relevância global como alternativa ao modelo linear de produção e consumo. A transição para sistemas que priorizam o reaproveitamento de recursos, a redução de resíduos e a prolongação do ciclo de vida dos produtos é vista como essencial para enfrentar desafios ambientais e econômicos.

Estudos apresentados no evento apontam que o modelo econômico atual ainda desperdiça cerca de 31% do valor gerado globalmente, evidenciando o potencial de ganhos associados à circularidade.

No Brasil, a agenda já avançou em termos de regulação, tecnologia e conscientização, mas ainda enfrenta desafios como:
– Fragmentação institucional;
– Ausência de métricas padronizadas;
– Falta de instrumentos financeiros adequados;
– Baixa integração entre economia circular e agenda climática;
– Pequeno número de profissionais Economistas atuando no setor.

Diante desse cenário, o CBFC propõe uma abordagem integrada que conecta financiamento, inovação, conhecimento e políticas públicas, possibilitando ganhos de escala, aumento da competitividade industrial e criação de novas cadeias produtivas.

Próximos passos

O plano de ação do Comitê prevê etapas que passam pela produção de conhecimento técnico, capacitação, amadurecimento do ecossistema financeiro e fortalecimento das cadeias produtivas ligadas à economia circular.

A iniciativa também dialoga diretamente com estratégias nacionais de desenvolvimento, como a nova política industrial, e com compromissos climáticos assumidos pelo país.

O evento

O lançamento oficial do Comitê Brasileiro de Financiamento Circular contou com a participação das entidades fundadoras e de diversas outras instituições nacionais e internacionais de relevância (confira a lista completa ao final da matéria).

A programação foi marcada por uma série de painéis temáticos que abordaram os desafios e oportunidades da economia circular sob diferentes perspectivas.

Abrindo o evento, a Presidente do IBEC, Beatriz Luz, destacou a importância de expandir os conhecimentos a respeito da economia circular. “Esta não é uma agenda só de Governo ou da iniciativa privada, mas de toda a sociedade. Precisamos de mais Economistas atuando na área para dar escala às iniciativas circulares. Precisa sair da bolha, parar de falar somente entre nós que já conhecemos o potencial da economia circular e ganhar espaço no financiamento internacional, precisamos mostrar que a descarbonização é vantajosa”, defendeu.

O Presidente do Corecon-SP, Haroldo da Silva, destacou a importância do papel do Economista para a construção dessa agenda.

“O lançamento deste Comitê é um marco para a profissão de Economista. A transição para modelos produtivos sustentáveis exige não apenas inovação tecnológica, mas também inteligência econômica capaz de estruturar projetos viáveis e atrair investimentos. Nós, Economistas, precisamos na linha de frente desse processo, porque podemos contribuir com soluções concretas para o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O Vice-Presidente Antônio Prado complementou: “Projetos estruturados conectam financiamento, políticas públicas e inovação. É nesse ponto que nossa atuação se torna indispensável para dar escala e consistência às iniciativas circulares”.

A mobilização dos Economistas de todo o Brasil em torno da agenda circular foi o centro da fala da Presidente do Cofecon, Tânia Cristina Teixeira. “É um compromisso da nossa categoria ajudar a construir um país mais sustentável para esta geração e as futuras. Nós vamos mobilizar Economistas de Norte a Sul do Brasil para que desbravem a economia circular e contribuam com os projetos e iniciativas do setor”.

O desenvolvimento de lideranças capazes de atuar e contribuir com o setor também foi destacado por Leonardo Lima, Diretor Executivo da BRASFI. “O Brasil tem grandes oportunidades nessa área, é uma vocação. Nosso desafio é formar líderes para promover a agenda da Economia Circular no país”.

Já André Godoy, Diretor Executivo da ABDE, ressaltou uma perspectiva importante que a sociedade e o mercado precisam ter a respeito da economia circular. “Nossa missão é fazer o mercado entender que a economia sustentável não é um reparo, mas uma oportunidade”. Mais uma vez, o profissional Economista é quem pode dar o embasamento capaz de sustentar essa visão.

Entre os destaques, o painel internacional “O que muda a regra do jogo” reuniu especialistas como representantes do Banco Europeu de Investimento e da PRO Circularity Alliance, trazendo experiências globais sobre financiamento e implementação de modelos circulares.

Ao longo do encontro, também foram debatidos temas como o papel da economia circular na competitividade industrial, o contexto brasileiro e as exigências para avançar na agenda nacional, além da intersecção entre circularidade, clima e natureza — reforçando o alinhamento com compromissos ambientais e de desenvolvimento sustentável.

As entidades ainda discutiram o plano de ação do Comitê, com foco no desafio de transformar conhecimento técnico em projetos viáveis e escaláveis.

Instituições presentes no evento:

  • Ayuni Larissa Mendes Sena (Ministério da Fazenda)
  • Rodrigo Bonecini (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC)
  • Flávia Moraes Silva (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES)
  • Jaicy Fidelis Iahn (Banco do Brasil – BB)
  • Gabriela Oliveira (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL)
  • Rodrigo Bonecini (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA)
  • Laíze Lantyer (Conselho Nacional de Justiça – CNJ)
  • Luciana Acioly (Conselho Regional de Economia do Distrito Federal – Corecon-DF)
  • Laurent Javaudin, Marie Hameeuw e Ana Paula Amaya Gutierrez (União Europeia)
  • Elisabeth Stiebitzhofer e Timon Leopold (Embaixada da Alemanha)
  • Judith Schildberger (Embaixada da Áustria)
  • Eduard Onderka (Embaixada da Tchéquia)
  • Layla Pinheiro (Embaixada da Eslovênia)
  • Ana Carolina Bussacos (Embaixada da Suécia)

 

-> Acesse aqui a apresentação da reunião 

Se você, Economista, tem o interesse de atuar na área e participar desse projeto, entre em contato conosco: – WhatsApp: (11) 99601-4443 – E-mail: comunicacao@coreconsp.org.br