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O primeiro de uma série de ciclos de seminários sobre “Neoindustrialização e Política Industrial” foi realizado nesta segunda-feira, 4 de agosto, no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), idealizadora do evento, em parceria com o Núcleo Brasileiro de Estudos Estratégicos (NBEE) e com o apoio do Corecon-SP e da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED-SP).

A temática do evento contou com a participação do vice-presidente do Corecon-SP, Haroldo Silva, como um dos palestrantes, com moderação do conselheiro Antonio Prado. A mesa de debate foi composta ainda por Antonio Corrêa de Lacerda, assessor da presidência do BNDES, professor doutor da FEA-PUCSP e conselheiro do Cofecon, e Ricardo Bielschowsky, professor da UFRJ.

Prado abriu o evento apresentando a proposta do seminário, explicando que este primeiro encontro inicia o ciclo com uma abordagem mais ampla e geral sobre a neoindustrialização e a política industrial. “A proposta é promover discussões sobre a nova política industrial, refletindo sobre possíveis sugestões a serem apresentadas. Afinal, políticas públicas exigem debate — tanto em sua elaboração quanto em sua implementação”, destacou.

Em seguida, Lacerda contextualizou as mudanças ocorridas na reestruturação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), na retomada do papel estratégico do BNDES e nos pilares que sustentam o novo contexto da política industrial brasileira, que, segundo ele, recolocou o Brasil no jogo da competitividade global. “Retomar o debate sobre política industrial é algo significativo. Sem o papel relevante da indústria, não é possível promover o desenvolvimento”, afirmou o economista.

Na sequência, o vice-presidente do Corecon-SP, Haroldo Silva, apresentou sua visão sobre o processo de industrialização no Brasil, os ciclos de desenvolvimento econômico, as tendências atuais e os desafios enfrentados pela indústria nacional.

Em uma de suas reflexões, Haroldo questionou: a estagnação industrial reflete a estagnação econômica do país? Para responder a essa questão, segundo ele, é necessário analisar o crescimento do PIB.

Haroldo também abordou a Nova Indústria Brasil (NIB) e seu funcionamento, destacando que, em um ano, já foram registrados R$ 3,4 trilhões em investimentos e crescimento industrial. “Em síntese, o objetivo central da NIB é fortalecer a indústria brasileira com um compromisso de sustentabilidade, considerando aspectos econômicos e ambientais. Essa abordagem representa uma iniciativa inovadora e alinhada com as tendências globais”, enfatizou.

Por fim, o professor da UFRJ, Ricardo Bielschowsky, tratou da industrialização como parte integrante da estratégia brasileira de desenvolvimento inclusivo e sustentável. “Em outras palavras, embora a industrialização seja inegavelmente relevante, dado o papel fundamental da indústria na geração de renda e emprego, na incorporação de avanços tecnológicos e na obtenção de divisas externas — essenciais para o crescimento com estabilidade macroeconômica —, a neoindustrialização se apresenta como um programa conceitualmente apropriado. Ela se concentra na seleção de setores com potencial de desenvolvimento, favorecendo segmentos significativos da economia, especialmente aqueles vinculados às transições energética, ambiental e digital.”

Ao final do evento, os participantes interagiram com os palestrantes, tirando dúvidas. O vice-presidente do Corecon-SP, Haroldo Silva, também sorteou um exemplar de seu livro “A Ilusão Neoliberal da Indústria.” O diretor-geral da FESPSP e o presidente do Conselho Superior, Angelo Del Vecchio e Ubiratan de Paula Santos, respectivamente, prestigiaram o encontro.

Fotos do evento