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O segundo e último dia do 8º Encontro de Economia do Sudeste foi realizado na sexta-feira, 29 de agosto, e contou com painéis que abordaram temas de grande relevância, como o mercado de trabalho para economistas, a distribuição de renda e a inovação tecnológica no contexto da descarbonização e o artigo 3º da Constituição Federal. 

O dia foi marcado por reflexões relevantes sobre os desafios e oportunidades da economia, reunindo especialistas, estudantes e profissionais da área em discussões alinhadas com o cenário econômico atual. As apresentações destacaram a importância de políticas públicas eficazes, da capacitação profissional contínua e do investimento em tecnologias sustentáveis como pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da região Sudeste e do país como um todo. 

Painéis 

O painel de abertura do último dia do encontro iniciou com a apresentação do conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Pedro Afonso Gomes, ex-presidente do Corecon-SP, e do assessor da presidência e membro da Comissão de Assuntos Estratégicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conselheiro federal, Antonio Corrêa de Lacerda. A moderação foi conduzida pela presidente do Corecon-ES, Érika Leal. 

Os especialistas traçaram um panorama atual sobre o mercado de trabalho para economistas, apontando dicas, oportunidades e áreas de atuação da categoria. 

Pedro Afonso destacou a importância do 8º Encontro de Economistas do Sudeste, que representa cerca de 30 mil profissionais em uma região que concentra 53% do PIB nacional e abriga 45 milhões de habitantes, com grande diversidade econômica e social. Ele ressaltou a necessidade de a categoria continuar exercendo a profissão com qualidade, prestando um bom serviço à sociedade e contribuindo para a economia brasileira e internacional. 

“Isso mostra que não se trata apenas de um evento técnico, mas de um espaço que reflete a atuação real do economista no país. A nossa responsabilidade é imensa — e ela se intensificou diante da crise global que enfrentamos”, explicou o economista. 

Na mesma linha, Lacerda frisou: “A economia é uma profissão adequada às grandes transformações do mundo atual. A formação do economista é ampla e plural, combinando teoria econômica, métodos quantitativos, história e análise crítica, o que proporciona um conjunto de ferramentas aplicáveis em diversos setores. Isso torna o economista um profissional versátil, com atuação destacada em governos, empresas, mercados financeiros e consultorias.” 

Em continuidade ao tema do mercado de trabalho, o segundo painel do evento tratou sobre “A geração de emprego, produtividade e distribuição de renda”. A temática reuniu os especialistas Aristides Monteiro Neto, economista e técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Clemente Ganz, sociólogo e consultor sindical; e Luigi Nese, empresário, fundador e presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS) e do SEPROSP. O comando do painel ficou a cargo do presidente do Corecon-RJ, Antônio Magalhães. 

Aristides Monteiro apresentou alguns trabalhos que vem desenvolvendo há algum tempo no Ipea, com foco no crescimento econômico do país e nas dificuldades — mas também nas oportunidades — que se colocam para as diferentes regiões brasileiras. Ele destacou que não apenas regiões em alta evidência, como o Centro-Oeste, impulsionado pelo agronegócio, têm mostrado dinamismo, mas também outras áreas, como o Nordeste, vêm passando por transformações significativas. 

“O Brasil reúne múltiplas possibilidades para a construção de um novo modelo de desenvolvimento: mais justo, com maior geração de renda e emprego para toda a população”. 

Clemente Ganz destacou que o aumento da produtividade é essencial para gerar bem-estar, bons empregos e crescimento dos salários. Para isso, “é preciso enfrentar quatro grandes transições: demográfica, ecológica, tecnológica e macropolítica”. Ele ressaltou que essa agenda é estratégica e deve fazer parte do debate cotidiano sobre o desenvolvimento do país. 

Por fim, o painel foi fechado por Luigi Nese, que falou sobre a oportunidade de apresentar uma proposta sobre uma nova base de financiamento da Previdência — um tema que, na visão dele, “deve estar sempre na pauta de negociações, em qualquer momento. Os economistas têm um papel fundamental e devem contribuir ativamente nesse debate”. 

A palestra de Luigi foi complementada por Fernando Garcia, que abordou a renda dos aposentados e o déficit crescente no regime geral da Previdência, apontando riscos à sua sustentabilidade no longo prazo. 

“Propusemos substituir a base de arrecadação — hoje focada nos salários — por uma contribuição sobre a movimentação financeira da sociedade. Com alíquota baixa, o sistema se tornaria mais resiliente e duradouro.” 

A segunda parte do evento, no período da tarde, iniciou com a palestra “Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica no Contexto da Descarbonização”, apresentada por Aline Cardoso, mestre em Economia Política, Senior Fellow do ICLEI América do Sul e presidente da Impulso Brasil; e Isabel Ferreira, advogada, internacionalista e diretora executiva do Instituto AYA. Haroldo Silva, vice-presidente do Corecon-SP, conduziu o debate. 

“Vivemos um momento de transição histórica, marcado por múltiplas crises e pela urgência da sustentabilidade. É fundamental repensar a economia considerando seus impactos ambientais e sociais. Nesse contexto, destaco a importância dos empregos verdes — os chamados green jobs — e da inclusão produtiva, já que essa transição pode gerar também a perda de postos de trabalho, exigindo atenção às suas consequências sociais”, disse Aline Cardoso. 

Isabel Ferreira lembrou que encontros como esse promovem conexão entre ideias e lideranças de diversas regiões e fomentam a reflexão sobre a transformação ecológica. 

“No Ministério da Fazenda, participamos do plano que enfrenta barreiras e aproveita oportunidades para a transição verde, incluindo a geração de empregos e a formação de novas lideranças.” 

O 8º Encontro de Economia do Sudeste foi encerrado com a palestra do professor Ladislau Dowbor, que abordou o artigo 3º da Constituição Federal e a relação entre economia e dignidade humana. A presidente do Corecon-MG, Carolina Batista, foi a moderadora. 

Segundo ele, ao dividir o PIB do Brasil — cerca de 12 trilhões de reais — pela população, chega-se a cerca de 17 mil reais por mês por família de quatro pessoas. 

“Não há razão econômica para a existência de pobreza ou miséria. O problema é de organização política e social”, afirmou. 

Dowbor defendeu que garantir o básico para todos é viável e necessário, pois isso impulsiona a demanda, dinamiza a economia e fortalece o mercado. Ele também criticou o sistema financeiro, que, em vez de fomentar, estaria travando o desenvolvimento do país. 

Foram dois dias intensos de programação, com 14 palestrantes renomados e 16 horas de conteúdo, realizados nos dias 28 e 29 de agosto de 2025, na sede do Corecon-SP, com transmissão simultânea pela TV Economista. O evento foi organizado em conjunto pelos Corecons de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

ASSISTA AO VÍDEO DO SEGUNDO DIA NA ÍNTEGRA