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Na primeira edição do Prêmio Paul Singer de Boas Práticas Acadêmicas, o primeiro lugar na Categoria Assessoramento de Projetos veio para São Paulo. O ganhador foi Ladislau Dowbor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.

O prêmio é uma iniciativa do Cofecon e do Instituto Paul Singer, que visa reconhecer projetos de economia solidária no formato de projetos de extensão, preferencialmente em incubadoras universitárias. Os resultados foram divulgados em uma live realizada pelo Cofecon e transmitida pelo YouTube (clique aqui para ver).

Os trabalhos foram divididos em duas categorias: Incubação de Projetos, com prêmio de R$ 4 mil para o ganhador; e Assessoramento de Projetos, com prêmio de R$ 6 mil para o primeiro colocado. “Os projetos apresentados são de excelente qualidade, mostrando que realmente fazem a diferença na região e causam impacto econômico”, comenta a coordenadora do grupo de trabalho Responsabilidade Social e Economia Solidária do Cofecon, Teresinha de Jesus Ferreira da Silva. “A continuidade do Prêmio Paul Singer dará visibilidade a essas práticas, que estão mudando a realidade local em várias partes do País”.

Confira todos os ganhadores:

Categoria Incubação de Projetos

  • 1º Lugar (Prêmio de R$ 4.000,00): Representante do grupo: João Carlos de Pádua Andrade. Instituição: Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.

Categoria Assessoramento de Projetos:

  • 1º Lugar (Prêmio de R$ 6.000,00): Representante do grupo: Ladislas Dowbor.
    Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP;
  • 2º Lugar (Menção honrosa): Representante do grupo: Carolina Silva Lessa.
    Instituição: Universidade Federal Fluminense – UFF;
  • 3º Lugar (Menção honrosa): Representante do grupo: Sibelle Cornélio Diniz da Costa.
    Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

Projetos concorrentes

O núcleo de extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz possui um programa chamado Escritório de Projetos. Quatro deles foram apresentados para concorrer ao prêmio: o fortalecimento da cadeia produtiva da pesca artesanal; costurando sonhos; microfinanças para nanoempreendedores; e aceleradora de empreendimentos femininos. No primeiro deles, iniciado em 2010, a renda das famílias de pescadores beneficiadas cresceu substancialmente, novas moradias foram construídas e uma parceria com uma empresa privada permitiu ter uma unidade de beneficiamento de pescado.

No bairro da Casa Verde, em São Paulo, uma iniciativa do Instituto Wizion criou o Nosso Núcleo Casa Verde, fortalecendo as cadeias produtivas locais. Um dos resultados foi a criação do aplicativo Taqui, que conecta comerciantes e clientes do bairro; o grupo também identificou o coletivo Sartasiñani, formado por costureiras, sendo várias delas estrangeiras e oriundas de trabalho análogo à escravidão. A assessoria do Núcleo tem aumentado o nível de profissionalização do trabalho: uma oportunidade identificada foi a de produzir uniformes escolares para o município de São Paulo, e a cooperativa foi certificada pelos órgãos de controle como a melhor fornecedora da cidade.

No município de Niterói a prefeitura elaborou um programa de combate à pobreza que busca beneficiar mais de 100 mil pessoas e envolveu a criação de um banco comunitário e uma moeda social – a Arariboia. No primeiro ano, o orçamento do programa foi de 135 milhões de reais. Mas desde o período de lançamento não houve coleta de dados a fim de avaliar estatisticamente a eficiência do impacto da moeda sobre os beneficiários e os comércios. O trabalho realizado por duas estudantes da Universidade Federal Fluminense busca apresentar respostas sobre a efetividade do uso da moeda. A criação e o estudo de um banco de dados permitem orientar decisões do banco comunitário quanto ao crédito e identificar fragilidades e boas práticas que permitem a sobrevivência ou não dos empreendimentos solidários.

Desde 2015 a Universidade Federal de Minas Gerais organiza uma feira de economia solidária, com empreendimentos nas áreas de alimentação agroecológica, confecções, artesanato, higiene e limpeza (cosmética natural), sementes e mudas. Os empreendimentos que desejam participar da feira – que já teve 25 edições realizadas – devem ter sede na região metropolitana de Belo Horizonte e participar de fóruns ou grupos de economia popular e solidária. Além de todo o apoio à realização da feira, em 2022 foi oferecida aos produtores uma oficina de precificação. Ao longo dos anos, 35 estudantes passaram pelo projeto.

Há 20 anos a disciplina de economia solidária é obrigatória no curso da Universidade do Extremo Sul Catarinense, e desde 2011 a Unesc realiza uma feira de economia solidária. Cerca de 35 empreendimentos foram beneficiados e oferecem produtos regionais e artesanais. A realização, desde 2012, é semanal e ocorre no próprio campus. Durante a pandemia, um catálogo serviu para aproximar produtores e consumidores. A iniciativa também já gerou um livro, Economia Solidária no Sul Catarinense: Ações e Perspectivas, publicado pela editora da universidade. Atualmente, dos 15 municípios da região carbonífera do sul catarinense, 13 possuem uma feira nos mesmos moldes da Unesc.

Informações mais detalhadas sobre os projetos concorrentes podem ser encontradas no caderno de economia solidária, dentro da edição nº 45 da revista Economistas (clique AQUI).

Sobre Paul Singer

Nascido na Áustria, Singer chegou ao Brasil em 1940, aos oito anos, devido à perseguição aos judeus depois que a Áustria foi anexada à Alemanha nazista. Graduou-se em Economia pela Universidade de São Paulo, em 1959. Singer foi professor na Universidade de São Paulo e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Exerceu o cargo de Secretário do Planejamento do Município de São Paulo (1989-1992). Em 2003, assumiu a Secretaria Nacional de Economia Solidária – SENAES no Ministério do Trabalho e Emprego, cargo em que permaneceu até 2016. Em 2011 apresentou suas ideias a respeito dos bancos comunitários – que ele considerava instrumentos importantes para a erradicação da miséria. Dedicou as últimas décadas de sua vida ao estudo da economia solidária. Faleceu em 16 de abril de 2018, aos 86 anos.

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