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Participei recentemente de um debate sobre soberania nacional e me peguei com uma pergunta insistente: onde está o Brasil na disputa de poder global?

Não sou bolsonarista, nem lulista. Sou brasileiro. E é dessa perspectiva que analiso o cenário: com orgulho do potencial do país e frustração pelo desperdício de oportunidades.

A carta de Donald Trump ao Brasil, além da retórica sobre democracia, trouxe o que realmente importa: a economia. A tarifa de até 50% imposta sobre produtos brasileiros não é sobre justiça — é sobre hegemonia do dólar. O recado é claro: o Brasil é punido por flertar com alternativas monetárias dentro do BRICS.

E o que fazem nossos parceiros? A Índia corre para negociar uma taxa inferior a 20% com os Estados Unidos. A China adota a neutralidade. No momento em que o Brasil leva o primeiro tiro, cada um protege o próprio interesse. Isso é bloco estratégico?

Ficamos como boi de piranha: abrimos a trilha, apanhamos, e os outros passam ilesos. É estratégico para eles, não para nós.

Somos um país continental, com um dos maiores mercados consumidores do mundo, mas não nos vemos como potência. Seguimos esperando validação externa, sem projeto interno. Bater no Trump, idolatrar a China — como se a solução estivesse fora. A saída está aqui dentro.

Sem produção, não há mercado interno sustentável. Sem alfabetização real, não há engenharia, tecnologia, medicina. A educação de base é onde tudo começa. E o Brasil precisa de uma base sólida para se tornar uma potência industrial e tecnológica.

Enquanto isso, a Europa envelhece, perde competitividade e protagonismo. O mundo não aceita vácuos — quem vai ocupar esse espaço?

O Brasil tem território, população jovem, parque industrial e até projeto espacial. Mas falta visão de futuro. A Base de Alcântara Machado é um exemplo claro: um ativo que poderíamos estar usando com protagonismo global — enquanto outros países estudaram, copiaram e seguiram em frente. Nós não.

A disputa que vemos não é sobre ideologia. É por poder, território e mercado. E quem não tem projeto nacional, vira plateia na geopolítica.

A saída não é por Nova Iorque, nem por Pequim. A saída é por Brasília. É por São Paulo. É por dentro.