Em dezembro de 2025, a inflação de serviços medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma alta de 0,72%, diante de um crescimento em relação aos 0,60% registrados em novembro. Apesar dessa estabilidade mensal, o acumulado em 2025 mostra um aumento de 6,01%. O resultado representa uma o setor de serviços segue exercendo pressão relevante sobre o IPCA, devido à resiliência da demanda doméstica.
Com esse desempenho, o grupo de serviços contribuiu para conter o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou uma elevação de 0,33% no mês, abaixo das expectativas do mercado. Essa combinação reforça a leitura de que o processo de desinflação no Brasil segue consistente, ainda que gradual.

Determinantes da Inflação de Serviços
A inflação de serviços é influenciada por fatores estruturais e conjunturais, entre os quais se destacam:
• Custos de mão de obra elevados em um mercado de trabalho ainda aquecido;
• Custos operacionais crescentes, como aluguel, energia e tecnologia;
• Indexação contratual, que gera efeitos de inércia;
• Demanda relativamente estável , especialmente por serviços essenciais.
Desigualdade e custo de vida
A inflação de serviços afeta de forma mais intensa as famílias de baixa renda, pois serviços essenciais representam uma parcela maior de seus gastos. O aumento de preços em transporte, saúde e educação pressiona o custo de vida e reduz o acesso a serviços de qualidade.
Repercussões no emprego e renda
Embora o setor de serviços seja um importante gerador de empregos, a elevação dos custos pode reduzir a demanda por serviços não essenciais, levando a uma desaceleração na criação de vagas, especialmente em segmentos que dependem de deslocamentos frequentes dos consumidores.

Impactos Econômicos
Sobre as Empresas
- Redução de Margens: A pressão nos custos diminui a competitividade, especialmente para micro e pequenas empresas.
- Dificuldades de Acesso ao Crédito: Juros elevados limitam investimentos em modernização.
Sobre as Famílias
- Aumento no Custo de Vida: Gastos com serviços essenciais consomem uma parcela maior da renda.
- Alteração nos Hábitos de Consumo: Famílias buscam alternativas mais baratas e postergam gastos não essenciais.
Implicações para a Política Monetária
A inflação persistente de serviços mantém o IPCA pressionado, dificultando o cumprimento das metas de inflação. O Banco Central pode adotar uma postura monetária mais restritiva, mantendo os juros elevados por mais tempo, o que impacta negativamente o investimento e o crescimento econômico.
Conclusão
A inflação de serviços representa um dos principais entraves ao crescimento da economia brasileira. Ao elevar custos, pressionar juros, reduzir o consumo e afetar o emprego, ela compromete o dinamismo do setor que mais contribui para o PIB e para a geração de renda.
Carlos Eduardo Oliveira Jr.
Assessor Econômico
Informações: secretaria@cnservicos.org.br
